Maravilhas de Portugal

Há cerca de 2200 anos, conta a lenda, um só homem, o engenheiro grego Philon de Bizâncio, escolheu as 7 Maravilhas do Mundo. Fê-lo com dois propósitos: elaborar um “guia turístico” para os atenienses e sublinhar a capacidade do homem para transformar o espaço natural. Daí que todas as 7 Maravilhas se situem em redor do Mediterrâneo – o mundo então conhecido – e todas elas fossem monumentos que revelam os progressos da ciência e da técnica. As maravilhas da antiguidade clássica eram um espelho do mundo de possibilidades que então se abria para a humanidade.

Este ano, já não através da escolha de um só homem, mas por intermedio de uma ilusão de democracia cibernética, está a decorrer a escolha das novas 7 maravilhas do mundo. Ao mesmo tempo, alguns países escolhem as suas 7 maravilhas nacionais. As escolhas têm recaído de novo em monumentos construídos pelo homem. Acontece que 2200 anos depois, o que é verdadeiramente maravilhoso já não é só a capacidade do homem construir, é tambem a capacidade em preservar. O que é especialmente verdade no caso português.

As 77 maravilhas portuguesas pré-nomeadas – castelos, igrejas, mosteiros, aquedutos, palácios – são todos monumentos construídos. Isto serva para lembrar que a principal maravilha que o país tem para apresentar, capaz de competir à escala mundial, ficou esquecida: a faixa costeira.

Mas esta não resultou da construção humana – pelo contrario, a mão humana tem-se empenhado em destruí-la. De Norte a Sul, os exemplos de maravilhas destruídas pela acção do homem estão ai para nos envergonhar enquanto país.

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6 Comments on “Maravilhas de Portugal”

  1. Paulo Costa Says:

    Excelente post!
    Como de costume, Portugal mostra-se um país repleto de mal-agradecidos. Vivemos durante séculos à custa do que o mar nos dava, ganhamos poder (durante algum tempo) à custa da nossa coragem em ir para o mar e explorar o que ainda não se conhecia… e agora dá toda a ideia que o mar já só é “porreirinho” porque dá para trazer uns ingleses e alemães até cá…

  2. BRUNO Says:

    vê lá se apoias mais a tua terra no teu blog!!


  3. Caro Bruno eu apoio a minha terra! Não é por escrever sobre ela que a apoio, mas sim por atitudes visíveis e palpáveis. Alem disso este blog não se limita ao que se passa em Freamunde. Abraço


  4. Sem duvida Paulo! Há dias ouvi o Manuel Pinho dizer que o Golf era para Portugal como a neve para a Suíça e tive pena desses comentários. A neve e as montanhas suíças são um recurso natural( muito bem aproveitado diga-se), mas o golf não é nenhum recurso natural… Ao passo que a nossa costa é!
    A escolha de abandonar a maravilha de Portugal, optando, por um caminho assente na degradação do território, continua a ser, em pleno sec XXI, sinal de enorme pobreza.


  5. posso discordar um pouco?

    o geres, o douro internacional e mais alguns ainda são mais maravilhas, mais naturais, e felizmente, menos destruidas..

    obrigado..


  6. Sem duvida, falei na costa portuguesa como poderia ter falado de outras enumeras maravilhas naturais.


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